sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

LENDA DE SESIMBRA


QUER FICAR A CONHECER A LENDA QUE DEU ORIGEM AO NOME DO NOSSO CONCELHO?

É grande, mas vale a pena!!


Como sempre, quando a história não responde às origens de um povoado, a lenda vem em seu auxílio, suprindo essa falha. Tal é, também, o caso da antiquíssima Sesimbra, cuja origem do nome é perpetuada por uma velha tradição passada de geração em geração.
Diz-se que, nessa época, já aquela região era terra de pescadores, se bem que o castelo ainda não existisse e a população habitasse o lado do monte onde mais tarde se construiria a fortaleza.
Era senhor daquelas terras um homem tirânico que de todos exigia vassalagem. Era ele quem concedia as autorizações de pesca, sem as quais nenhum homem poderia partir para o mar, nem sequer para pescar o sustento da sua mesa. Além disso, cobrava tributos sobre o pescado, sobres os barcos e sobre tudo quanto entendesse. Alguns dos tributos eram desumanos e foi isso que o perdeu.
Um desses tributos, velho hábito ancestral, obrigava todas as donzelas que iam casar a serem possuídas pelo tirano na véspera do matrimónio.
Homens e mulheres sofriam por este gesto que o costume e o medo haviam quase legitimado, mas ninguém ousava rebelar-se contra o tirânico senhor.
Certo dia, porém, Zimbra e Maria decidiram casar-se. Zimbra era pescador, como todos os outros, e era jovem e ousado. Maria era mulher, filha da mesma terra, vítima silenciosa que seria do mesmo costume opressor.
Como sempre acontecia nestes casos, desceu-lhes ao pensamento a obrigação de vida ao senhor da terra. Maria dispôs-se a aceitar fatalmente, o tributo da sua virgindade. Zimbra, contudo, não estava disposto a aceitar mudo e quedo aquela exigência que nada fundamentava ou legitimava. E, assim, dispôs-se ele a desafiar o estabelecido e aceite no mais íntimo dos seus conterrâneos.
Todos, e também Maria, o aconselharam a não lutar contra os desejos do velho tirano. Zimbra não deu ouvidos a ninguém, decidido como estava a que não acontecesse a Maria o mesmo que às outras raparigas. E até ao fim ignorou os castigos que podiam esperá-lo naquela aventura.
Inicialmente só na sua determinação, conforme se foi aproximando o casamento, Zimbra foi sendo rodeado e apoiado pelos outros jovens pescadores da aldeia. Tiveram discussões quase intermináveis sobre o que lhes aconteceria quando o tirano viesse a sentir-se desautorizado. Mas Zimbra cansou-se daquela conversa vazia, só cheia de medos, e pôs cobro às discussões apresentando o seu plano: desceriam até à borda do mar e aí se estabeleceriam num povoado autónomo e livre de toda a tirania.
Isto pareceu tão simples e razoável a todos os pescadores rebeldes que dissiparam os medos e se entregaram inteiros à coragem de Zimbra. Tal era a confiança que depositavam no pescador que mal aprovaram o plano de liberdade, como que perdessem a vontade própria. E cada vez que se falava no propósito diziam:
― Se Zimbra quiser...
Zimbra quis porque não o visitou o medo. No dia do seu casamento recebeu Maria e partiu monte abaixo até à praia. Com eles desceu um grupo de casais e a expectativa.
Chegados ao sopé, delimitaram, segundo velhos rituais, os limites da nova aldeia, sacrificando no centro um animal, como lhes haviam ensinado os seu avós, que tinham recebido o ensinamento de outros antepassados. Em seguida, ergueram os pilares das suas novas casas, pobres choupanas de madeira cobertas de ramos de árvores. Tudo isto fizeram manifestando uma alegria toda natural e no final reuniam-se dançando velhas danças que evocavam pescas maravilhosas e esquecidas.
Quando soube disto, o tirano teve uma fúria imparável. Juntou quanta gente pôde e, sequioso de vingança, jurou não parar enquanto não desfizesse todas as esperanças de Zimbra e dos rebeldes.
Mas Zimbra e os habitantes do novo povoado sabiam o que os esperava. A pé firme, como quem espera o embate bruto do mar, esperaram a hoste do senhor. Estavam dispostos a tudo por Zimbra que lhes dera a sua coragem:
- Se Zimbra quiser...
E Zimbra quis, mais uma vez. Quando aquela bruta onda de gente embateu nos seus corpos, resistiram serenos porque tinham o conhecimento íntimo de que a fúria dura um momento. Calmos, desfecharam os seus golpes no inimigo que sobre eles se abatia e num gesto de sabedoria mataram o tirano e todos os seus homens.
Ficaram livres do julgo secular e injustificável dos tiranos da terra.
Agora era possível fazer do seu povoado uma terra de verdadeiros pescadores:
- Se Zimbra quiser...
E Zimbra, pela terceira e última vez, quis. De tal modo o quis que, muito tempo depois, quando Afonso Henriques conquistou o velho castelo fronteiro ao mar, era Sesimbra que lhe chamavam.



BONITA não é?

Nós adorámos!

5 comentários:

Nuno disse...

Gostei de ouvir a lenda de Sesimbra
Adoro com o entusiasmo que a professora lê!!!!!!!

professora Luísa disse...

Tão querido, o meu aluno!

E se leio assim é porque quero que vocês tenham prazer em ler e em saber ouvir.

:) bj

Anónimo disse...

Gostei muito de ouvir a Lenda de SESIMBRA !!!
adoreiiiii !

beijinhos andré

Beatriz Angelo disse...

Gostei muito da lenda.aproveitei para tirar as coisas mais importantes para o meu trabalho.Obrigado por nos teres contado esta lenda prof.Jocas.

Anónimo disse...

goste muito da lenda de sesimbra...:)